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Arco Metropolitano passa para as mãos do governo federal

  • Publicado: Quarta, 10 de Outubro de 2018, 15h00
  • Última atualização em Quarta, 10 de Outubro de 2018, 15h00
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Depois de ter pago 60% da construção do Arco Metropolitano — a União financiou o restante da obra, que consumiu R$ 1,9 bilhão — , o governo do estado desistiu de administrar a rodovia, considerada a intervenção estratégica mais importante dos últimos anos. No mês passado, a área, que liga o Porto de Itaguaí a Itaboraí e vinha sendo subutilizada por causa da violência, foi devolvida ao governo federal. Com a mudança, o estado, que tomava conta provisoriamente do local desde 2014, deixará de gastar R$ 19 milhões por ano na manutenção dos 72 quilômetros da via, agora a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Segundo a Secretaria estadual de Obras, a devolução, negociada desde fevereiro, foi causada pelo agravamento da crise econômica, que “provocou um crescente desequilíbrio nas finanças do estado, impossibilitando o governo de arcar com os custos da rodovia”. O governador Luiz Fernando Pezão, no entanto, diz que há outro motivo por trás da desistência:

— Estávamos negociando para fazer a concessão da via, mas o governo federal não aceitou. Eles disseram que eles mesmos iam fazer (a privatização), então entregamos.

O Ministério dos Transportes confirmou que foi iniciado um estudo para a concessão federal do trecho, mas disse que não há prazos definidos.

Com a alteração, o policiamento do Arco, que era feito pelo Batalhão de Polícia Rodoviária da Polícia Militar, passou a ser responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal. Na segunda-feira, o EXTRA percorreu o trecho entre Duque de Caxias e Itaguaí sem cruzar com patrulha alguma.

Viagem na escuridão e no medo

Na viagem que a equipe do EXTRA fez na via na última segunda-feira pelo Arco Metropolitano, foi difícil encontrar trechos bem iluminados. Não havia sequer um quilômetro onde, no início da noite, todas as luzes estivessem acesas. A escuridão acontece porque ladrões têm levado as baterias que armazenam energia solar nos postes. Para conseguir alcançar os equipamentos, os criminosos muitas vezes derrubam as estruturas. Pelas contas da Secretaria estadual de Obras, cerca de 200 já foram danificadas — uma perda de mais de R$ 4,4 milhões, já que cada unidade custou ao estado aproximadamente R$ 22 mil.

Em Seropédica, a situação era ainda mais grave: a rodovia estava um breu, facilitando os assaltos a mão armada.

A violência tem sido, aliás, uma queixa frequente dos motoristas que ainda se aventuram pela região: a previsão inicial era de que o Arco atraísse 30 mil veículos por dia, mas, atualmente, só 15 mil usam a via. Na segunda-feira, com medo de ataques de ladrões de carga, cinco caminhoneiros optaram por viajar em comboio.

Os problemas de manutenção também afetam a fiscalização eletrônica de velocidade. No trecho entre Caxias e Itaguaí, onde o EXTRA localizou três radares fixos, dois deles não funcionavam: estavam danificados, em postes envergados. A sinalização também estava precária, com diversas placas quebradas. Na altura de Seropédica, os indicadores de sentido, tanto na direção do Rio quanto na de Itaguaí, foram arrancados pela metade.

Um relatório da Câmara Metropolitana, divulgado há quatro meses, mostrava ainda irregularidades na faixa de domínio da rodovia, como construções clandestinas de imóveis, comércio improvisado, apropriação de terras públicas e abertura de pelo menos 79 acessos ilegais.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal informou que as rondas são feitas “com viaturas e motocicletas, baseadas em outras rodovias próximas”. 

O EXTRA ouviu os candidatos ao governo do estado que disputam o segundo turno sobre o tema. Veja abaixo. Os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) também foram procurados, mas não responderam.

Euardo Paes (DEM): “O governo do estado fez as obras do Arco e, depois disso, ficou um ano solicitando à União, sem sucesso, a transferência definitiva da rodovia para o plano estadual. Hoje ninguém cuida da estrada, nem estado nem União, o que permite a situação de abandono que vemos. Vou reivindicar que seja feita a transferência da estrada para o estado. Sobre a segurança na estrada e em seu entorno, temos sempre falado que a Segurança Pública será um dos nossos maiores desafios. Queremos diminuir os índices de roubos (incluindo os de carga) e homicídios logo no primeiro ano de governo”.

Wilson witzel (PSC): “(o fato de o estado devolver o Arco para a União) Demonstra novamente a falência econômica, moral e administrativa do grupo político de Pezão, Cabral e Paes. Precisamos dar um basta nesse ciclo de desperdício, corrupção e pobreza que assolou o Rio. O Arco Metropolitano foi uma obra em que se gastou muito dinheiro, e o resultado não favoreceu a população. Vamos planejar a expansão urbana no entorno, estabelecendo o uso misto dos segmentos habitação, comércio, serviços e indústrias”.

Via jornal Extra

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